Dois amores.

Dois amores se amavam de longe, sonhavam um com o outro, sem se conhecerem, sussurravam o nome um do outro, mesmo sendo dois estranhos.

Até que os dois se encontraram, deixou de ser um sonho, passou a ser algo real, já se conheciam, já sabiam o nome um do outro, deixaram de ser estranhos para se tornarem amigos. 

Ele era ligeiramente mais alto do que ela, tinha os cabelos pretos e longos, a franja tapava-lhe os olhos muitas vezes, tinha a pele branca como a neve do inverno, e um sorriso largo mas encantador. 

Ela era baixa, de cabelos curtos pretos cor da noite e volumosos, não tinha franja, tinha a pele cor de cacau, tinha um sorriso tímido e discreto.
Quem diria que os opostos se atraem mesmo. 

Os dois construíram uma bela amizade, uma amizade leve, tranquila e sólida que com o tempo passou a ser amor, um amor carinhoso, transparente e respeitoso.

Os dois se amavam a cada olhar, a cada encontro, a cada café, a cada beijo, a cada toque, a cada suspiro de prazer, os dois se tornaram um só até que veio a tempestade, e os mares de lágrimas. 

Os dois se amaram tanto até que se magoaram, se cortaram com palavras que mais pareciam facadas no coração, se tornaram frios distantes um do outro, ninguém soube o que aconteceu, ninguém soube o que realmente mudou na cabeça um do outro. 
O amor deles era tão intenso que acabou por os separar. 

O amor é um solitário, que só deseja encontrar alguém que realize o seu maior desejo que é ser amado, o amor é grande mas sozinho ele se torna muito pequeno, o amor é uma guerra que anseia por paz.

Então a culpa da separação deles é dum amor que não soube se entregar por completo?

Será que futuramente eles aprenderão a amar?
Mas amar em paz, sem receios, sem anseios, sem medo de serem interrompidos, será que aprenderão a se amarem sem se perderem, sem se esquecerem que são dois, mas também sem se esquecerem de ser um por completo.
Será que aprenderão a ser livres mesmo estando presos um ao outro?
Será que serão felizes, ou será que são apenas as pessoas certas um do outro só que no momento errado.

No fim, tudo voltou a ser como no início. 
Voltaram a ser dois conhecidos que, agora, são estranhos novamente.


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